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1792

Um jovem galego chegado a Lisboa em busca
de melhores dias, abre a sua modesta loja
no Chiado onde as cicatrizes do terramoto
de 1755 são ainda visíveis.

Nesse longínquo ano de 1792,
Jerónimo Martins não terá imaginado
que a sua humilde loja iria atingir
uma longevidade de mais de dois séculos,
transformando-se no Grupo que é hoje.

Na sua "tenda", como na época
lhe chamavam, vende de tudo um pouco:
os enchidos carregados de colorau,
as sacas de trigo e de milho, molhos de velas
de sebo, boticões de vinho, vassouras, etc.

1797

Após cinco prósperos anos, Jerónimo Martins é já o principal fornecedor da maioria das embaixadas acreditadas em Lisboa e dos navios que cruzam o Tejo.
Inicialmente situada na actual Rua Ivens, a "tenda" muda para a Rua Garrett, edifício que se mantém até ao grande incêndio que destruiria boa parte da tradicional imagem do Chiado.

Os acontecimentos políticos sucedem-se, mas a imagem da loja mantém imutável. Chegam os franceses; a família real parte para o Brasil; os liberais passam para o poder e, durante todo este período, a Lisboa mais requintada continua a abastecer-se, muitas vezes a crédito, no Jerónimo Martins.

A realeza também não dispensa os seus produtos e D. Fernando, o viúvo de D. Maria II e regente do Reino na menoridade de Pedro V, concede a Jerónimo Martins o alvará de fornecedor da Casa Real, porque "há por bem e lhe apraz". O velho galego não sobreviverá para receber esta honraria, que seria concedida a seu filho Domingos.